Indicação de livro

Camadas populares e universidades públicas: trajetórias e experiências escolares

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PIOTTO, Débora Cristina, (org.). Camadas populares e universidades públicas: trajetórias e experiências escolares. São Carlos, SP: Pedro & João Editores, 2014. 273 p.


Camadas populares e universidades públicas: trajetórias e experiências escolares
, organizado por Débora Cristina Piotto, apresenta textos de pesquisadores brasileiros que focam na investigação do acesso e da permanência de estudantes das camadas populares em universidades públicas, colaborando com a compreensão das desigualdades de escolarização.

Os objetivos do livro são aprofundar as discussões ao redor do tema, buscando refletir os avanços, as lacunas e os desafios que se apresentam para o campo de pesquisa nesta área. E também favorecer o acesso a pesquisas referentes à temática, visto que faltam publicações desta ordem no Brasil e que a existência de alunos de meios populares no ensino superior é uma questão que chama a atenção de pesquisadores e de formuladores de políticas públicas.

As pesquisas trazidas pelo livro utilizam diferentes referenciais teóricos e abordagens metodológicas. Além disso, demonstram distintas realidades universitárias, focando detalhadamente na trajetória escolar ou na experiência universitária e ainda apontam diversos aspectos na discussão sobre a experiência desses estudantes.

Um ponto comum dos estudos apresentados é que contêm a consideração da complexidade, das contradições e dos desafios pertinentes à presença das camadas populares em universidades públicas.

Maria Alice Nogueira, pesquisadora do OSFE, comenta sobre o exemplar: “Tenho certeza de que este livro será muito útil para todos aqueles que se interessam pelo tema das desigualdades sociais de acesso ao ensino superior, no país, bem como pela nova conjuntura de relativa abertura desse nível do ensino a novos grupos sociais.” Para ela, o livro parece de grande relevância, pois contribui para alargar nossa compreensão das lógicas que regem essa forma de inclusão educacional.

A autora do livro, Débora Cristina Piotto, é professora Adjunta do Departamento de Educação, Informação e Comunicação da Faculdade de Filosofia, Ciência e Letras de Ribeirão Preto/USP. É doutora em Psicologia escolar e desenvolvimento humano pelo Instituto de Psicologia da Universidade e São Paulo (USP).

Os capítulos incluem vários trabalhos de pesquisadores ligados ao OSFE:

- Em que consiste a excelência escolar nos meios populares? O caso de universitários da UFMG que passaram pelo Programa Bom Aluno de Belo Horizonte (Maria José Braga Viana);

- De escolas públicas estaduais ao Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA) (Wania Maria Guimarães Lacerda);

- Estudantes de origem popular nos cursos mais seletos da UFAC (Maria do Socorro Neri Medeiros de Souza);

- A vida universitária de estudantes pobres na UFMG: possibilidades e limites (Écio Antônio Portes);

- Estudantes com desvantagens sociais e os desafios da permanência na universidade pública (Wilson Mesquita de Almeida).

Dica de livro

 Sociologia do Ensino Médio: Crítica ao economicismo na política educacional

principal

KRAWCZYK, Nora, (orgs.). Sociologia do Ensino Médio: Crítica ao economicismo na política educacional. 1ª ed. São Paulo, SP: Cortez, 2014.

Sociologia do Ensino Médio: Crítica ao economicismo  na política educacional é uma publicação recente, organizada por Nora Krawczky que convidou um grupo de pesquisadores nacionais e internacionais como Agnès Van Zanten, Bernard Charlot, Guillermina Tiramonti, Maria Alice Nogueira, Marilia Pontes Sposito, Raquel Souza, Rosemeire Reis e Wania Guimarães Lacerda cujas pesquisas muito contribuem para a compreensão do rumo atual da educação, em particular do ensino médio.

Este livro parte da necessidade de recuperar o papel da sociologia crítica na formulação de políticas educacionais. Os trabalhos do grupo convidado são de cunho sociológico, contrapostos ao economicismo, hoje hegemônico, que procura fazer da experiência empresarial um modelo para a educação.

Para Nora Krawczyk a proposta desta obra “é discutir os princípios, pressupostos e consequências das políticas para o ensino médio, a partir de um campo de conhecimento pouco levado em conta. Trata-se de promover o diálogo entre as políticas educacionais e as ciências sociais, neste caso com pesquisas desenvolvidas na área da sociologia da educação”, afirma. Para ela, o olhar da sociologia crítica sobre os desafios vividos hoje pelo ensino médio “é subsídio decisivo para a formulação das políticas educacionais”. (leia mais aqui)

A organizadora do livro, Nora Krawczyk, é professora doutora da Faculdade de Educação da Unicamp. O livro inclui capítulos de pesquisadoras do OSFE-UFMG, Maria Alice Nogueira e Wania Guimarães Lacerda.

Veja a listagem completa de capítulos e autores: Desafios da reflexão sociológica para análise do ensino médio no Brasil (Marilia Pontes Sposito e Raquel Souza); As relações com os estudos de alunos brasileiros de ensino médio (Bernard Charlot e Rosemeire Reis); Efeitos da concorrência sobre a atividade dos estabelecimentos escolares (Agnès van Zanten); Os rankings de estabelecimentos de ensino médio e as lógicas de ação das escolas. O caso do Colégio de Aplicação da UFV (Maria Alice Nogueira e Wania Guimarães Lacerda); L’école de la périphérie (A escola da periferia) revisitada (Agnès van Zanten); A escola moderna. Restrições e potencialidades frente às exigências da contemporaneidade (Guillermina Tiramonti).

Última Reunião Ampliada 04/09

Última Reunião Ampliada 04/09  20140904_153047

Na última Reunião Ampliada: “Efeito das escola, contexto socioeconômico e a composição por gênero e raça”; realizada no dia 04/09 contamos com a presença de alunos de diversas instituições como UFV e a comunidade acadêmica da UFMG.

Agradecemos a presença de todos! Nos vemos na próxima Reunião Ampliada dia 02/10 às 14h.

 Mais informações  entre em contato  através do site.

PRÓXIMA REUNIÃO AMPLIADA

 

imagem convite R.A setembro

 

Já estamos com a próxima reunião ampliada agendada, 04/09/2014 às 14:00 na Sala da Congregação-FaE/UFMG.

Veja o tema:

EFEITO DAS ESCOLAS, CONTEXTO SOCIOECONÔMICO E A COMPOSIÇÃO POR GÊNERO E RAÇA¹-² ;

Flavia Pereira Xavier

Maria Teresa Gonzaga Alves

Resumo: O objetivo desse trabalho é analisar a eficácia das escolas públicas brasileiras de Ensino Fundamental,considerando o seu contexto socioeconômico e a composição por gênero e raça. Pretendeu-se responder às seguintes questões: (i) qual o efeito das escolas em tirar os alunos dos níveis mais baixos da escala de proficiência para os níveis mais elevados? (ii) esses efeitos são diferentes segundo o contexto socioeconômico e a composição dessas escolas? (iii) qual o impacto do contexto e da composição das escolas nas chances dos seus alunos estarem numa situação de exclusão ou no nível de aprendizagem adequado? Em vez de se modelar a média de proficiência, os alunos foram alocados em níveis de desempenho que possuem clara interpretação pedagógica:insuficiente, básico e adequado. Os alunos no nível insuficiente são considerados excluídos, uma vez que o seu direito à educação não é atendido. Utilizaram-se os dados de 2007, 2009 e 2011 da Prova Brasil do Ministério da Educação.Os principais achados indicam que independentemente do nível socioeconômico das escolas, quanto maior a proporção de meninas numa escola, mais fácil será para esta produzir efeito para a retirada dos seus alunos da exclusão ou em promovê-los ao nível adequado. Tendência inversa é observada para escolas com maior proporção de alunos pretos. A composição das escolas por gênero e cor também afeta as chances individuais de retirada da exclusão e promoção ao nível de adequação.

Palavras-chave: efeito escola, desigualdades escolares, níveis de desempenho,composição por gênero, composição por raça.

¹Trabalho apresentado no IV Colóquio Luso-Brasileiro de Sociologia da Educação, realizado entre os dias 19 e 21 de junho de 2014, no Porto, Portugal.
²As autoras agradecem ao Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), à Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (FAPEMIG) e à Pró-Reitoria de Pesquisa da Universidade Federal de Minas Gerais (PRPq/ UFMG) pelo apoio à pesquisa.